MARTA

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O ADEUS PRECOCE DA MINHA ESTRELA MAIOR
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

RECADOS À MARTA

Marco Aurélio Monteiro deixou um novo comentário na sua mensagem "A MINHA MARTA": 

Estou a escrever porque senti necessidade de o fazer,não o fiz antes porque não sabia da existência deste blogue dedicado à Marta,eu só soube porque acabo de vir da Paiã do almoço dos antigos alunos e foi o David Simões ( o americano) que era da turma da Marta que me falou do blogue.
Ainda para mais, fez ontem anos que a Marta nos deixou.
Conheci a Marta muito bem, entrámos para a Paiã no mesmo ano, ela para industrias alimentares e eu para agro-pecuaria,recordo-me dela usar uns xailes pelos ombros, parece-me que todos os dias levava um diferente.
Cheguei a sair à noite com a Marta e com a sua irmã.
Fomos de viagem de finalistas a Palma de Maiorca, divertimo-nos que nem uns loucos,pela ilha nos jipes que nós alugámos.
Eu sempre achei a Marta muito madura e responsavel para a idade,comparada comigo que era um autêntico gaiato.
Soube da sua morte pela Olga que tinha sido da turma da Marta na Paiã e estudava em Castelo Branco juntamente comigo.
Não fui ao seu funeral, mas recebi uma carta da mãe a informar-me.
Não fui ao funeral por cobardia,não queria acreditar que uma rapariga da minha idade tinha partido tão permaturamente.
Não fui porque não tive força para enfrentar os Pais, a Irmã, a familia.
Não fui porque queria guardar só recordações boas.
Não fui porque não tive coragem de enfrentar a dura realidade que é a morte.
Hoje, que sou pai de um menino faz amanhã 20 meses,nem quero pensar no sofrimento que levam dentro de si,os Pais e Irmã.
Agora passados estes anos todos só quero deixar um grande beijo para a Mãe,Pai e Irmã e que continuem a ter muita força.
Durante estes anos todos, recordo-me muitas vezes da Marta e do que lhe sucedeu.
Que a sua alma esteja em bom lugar e que descanse em paz.
Marco Aurélio 



A  minha resposta:
Que emoção!! ler as suas palavras foi um enorme consolo. Perceber a importância que a Marta teve na vida das pessoas que com ela conviveram foi esse o objectivo que me levou a fazer este blog. 
Ao ler as suas palavras recordei a Marta, "coquette" que adorava andar bem vestida e com adereços que a tornavam diferente da maioria das raparigas, sim ela adorava lenços, écharpes, xailes... roupas bonitas que a realçavam a sua feminilidade, a sua beleza exótica.
Tenho ideias de escrever sobre a viagem de finalista que ela adorou e recordava com muito entusiasmo... ainda não cheguei a essa época... desde a publicação do blog que tem sindo um "deslumbramento" para mim, pois passados 16 anos, nunca pensei que a Marta estivesses ainda nos pensamentos dos amigos.
Vou mandar-lhe um mail. Lembro-me de a Marta referir o seu nome, Marco Aurélio...
Obrigada pelo seu testemunho tão sincero... 

OS FILHOS DA D. FINA

A amizade sempre foi muito cultivada e apreciada pela Marta. Desde muito pequena, que se habituou a conviver com crianças que viviam perto da nossa casa  ou  com os  filhos dos nossos amigos. Adorava ter amigos com quem podia partilhar as brincadeiras.

Começou de muito pequenina, com dois ou três anos, a  brincar no seu quarto ou na praceta, junto à nossa casa da Rua das Camélias, com os filhos da D. Fina, que fazia a limpeza em nossa casa, e que tinha seis filhos pequenos.
As duas raparigas mais velhas adoravam tomar conta da Marta e brincavam com ela tardes inteiras. Eu depositava muita confiança na Paula com sete anos e na Bela com seis anos pois  elas estavam muito habituadas a cuidar e a tratar dos irmãos mais novos; elas tinham um cuidado muito especial para com  a Marta e por isso eu ficava descansada enquanto ela brincava  com elas.
A Marta adorava também a brincadeira e passava os dias a brincar com as bonecas ou a andar no triciclo, no jardim das nossas traseiras,. A todo o momento, eu espreitava da varanda, para ver se tudo corria bem. Juntavam-se mais crianças dos prédios próximos, pois  como a Marta era muito sociável ela gostava de emprestar todos os seus brinquedos  e ela levava para a rua, todos os brinquedos que ela queria, assim todos participavam nas brincadeiras.
Muito raramente vinha para casa a chorar ou zangada com alguma criança, pois todos se davam muito bem  e  todos podiam brincar com os seus brinquedos, com a Nancy, com a Barbie ou com a Tucha, bonecas, que naquela época, meados dos anos 70,  nem todos tinham possibilidades de ter.
Aconteceu nessa altura um episódio que ainda hoje me deixa bastante angustiada quando o recordo.
A  Paula e a Bela moravam na cave do prédio nas nossas traseiras. As janelas ficavam ao nível da rua, e como eram muitos filhos, passavam muito tempo a brincar junto das janelas, que estavam quase sempre abertas, principalmente a do quarto das crianças. A altura da janela ao chão do quarto era bastante considerável, cerca de dois metros e meio ou mais.
Uma tarde, como tantas outras, as crianças brincavam sentadas no parapeito da janela, mas a Marta desequilibrou-se e foi cair dentro do quarto. Havia uma cómoda junto à janela que amorteceu a queda, pois primeiro bateu na cómoda e depois caiu para o chão. Foi um trambolhão enorme e todos se assustaram imenso. Vieram trazer a Marta a casa e não me contaram nada. Eu estava na cozinha a preparar o jantar e não me apercebi de nada de anormal. Passado algum tempo, fui encontrar a Marta deitada no chão do corredor, muito sonolenta e sem se querer mexer. Fiquei assustada, pois ela não se queria levantar. Fui a casa da D. Fina saber o que se tinha passado e ela contou-me o que sucedera, mas minimizando o acontecido, dizendo-me a queda não tinha passado de um enorme susto.
Vim para casa assustadíssima e preocupada. A Marta continuava sem se querer mexer, mas dizia que não lhe doía nada. Já não jantámos e fomos imediatamente para as Urgências de Pediatria, do Hospital de Santa Maria. Aí, os médicos de serviço observaram muito bem a Marta, não lhe fizeram nenhum Raio X, pois acharam que os reflexos dela eram normais e mandaram-na para casa, aconselhando-nos a  observar as suas reacções. A Marta dormiu bem e no dia seguinte levantou-se sem se queixar de dores.
Nunca mais esqueci este episódio, pois alguns anos mais tarde, tinha a Marta nove anos, foi fazer uma radiografia à coluna vertebral, por causa da escoliose que se estava a acentuar bastante, e aí o médico ortopedista detectou que a Marta tinha as 5ª e 6ª vértebras lombares, bastante deformadas. Essa doença chama-se Espondilolistese e pode ser congénita ou provocada por um traumatismo grave.
Na Enciclopédia Médica da Família podemos ler o seguinte:
"Espondidolistese é uma deformidade da coluna em que uma vértebra desliza para a frente, para cima de outra. Pode ocorrer no pescoço ou, mais vulgarmente, na região lombar. Os principais sintomas da espondilolistese são (...) dores na coluna, causadas por compressão da espinal medula. Mais tarde, pode surgir paralisia da parte inferior do corpo, com problemas intestinais e de bexiga. (...) Por vezes, é necessária uma intervenção cirúrgica para recolocar as vértebras na posição correcta."

OS AMIGOS DO PRÉDIO DA RUA DAS CAMÉLIAS

Algum tempo depois de morarmos em Massamá, fizemos amizade com os nossos vizinhos do mesmo patamar. 
A Vina, o Américo, o Paulo e a Sandra (da idade da Rita) foram, durante os 14 anos que ali morámos,  os Amigos, aqueles amigos com quem sempre nos sentimos bem e com os quais passámos momentos inesquecíveis, muito bons, muito divertidos e muito bem dispostos. 
Ainda hoje, a amizade continua, mas o facto de não morarmos tão perto e as vicissitudes da vida deram origem a um certo afastamento.
            No nosso prédio, viviam também os Teixeiras, compadres da Vina e do Américo,  com quem fizemos uma grande amizade. 
O João e a Conceição Teixeira eram os pais  da Nani, da Vera (da idade da Rita) e do João Pedro e também com eles passámos momentos muito divertidos e bons.
            Com todos estes amigos ao pé da porta, a Rita e a Marta nunca se sentiam sós. Este convívio saudável e fraterno contribuiu muito para o seu desenvolvimento harmonioso e saudável. Sempre  adoraram conviver com  pessoas de família e amigos e  sempre prezaram  e respeitaram a amizade.

Os passeios que demos juntos à Serra da Estrela e as férias de Verão, passados no Algarve, na Ericeira, na Costa da Caparica são sempre recordados com imensa saudade.
            Como durante muito tempo não tivemos televisão a cores, era em casa da Vina e do Américo que nos juntávamos para vermos as transmissões mais interessantes na época; os Festivais da Eurovisão ou os Jogos sem Fronteiras eram programas que nos "obrigavam" a um serão em casa deles. Esses serões eram uma festa para os miúdos, pois assim, prolongavam as brincadeiras que tinham tido durante o dia.
            A Marta era a mais pequenina, mas todos se davam tão bem que nunca havia um desentendimento entre eles, tanto a Rita e como a Marta adoravam esses serões de convívio e brincadeira.
             Com a independência de Angola em 1975 e o começo da Guerra Civil naquele país, os pais e os irmãos da Vina tiveram que regressar a Portugal.
O Artur Manuel, o Necas, o irmão mais novo da Vina, na altura com 20 anos, dedicava horas a brincar com os miúdos e por isso se tornou  o seu melhor amigo, com quem brincavam, faziam jogos, concursos de canções e outras actividades que os deixavam felizes e muito bem dispostos. Nestas brincadeiras também colaborava a Isa, irmã da Vina, solteira,  estudante universitária. A Isa, com os seus 25anos, tinha um jeito muito especial para lidar com os miúdos, proporcionava serões divertidíssimos ao Paulo, à Sandra, à Nani, à Vera, ao João Pedro, à Rita e à Marta, sempre a mascote do grupo.
Foi uma época muito feliz e muito importante para o seu desenvolvimento cognitivo e socio-afectivo. Tanto o Necas como a Isa serviam de baby-sitter, pois os miúdos adoravam ficar com eles, enquanto nós, os adultos, aproveitávamos para ir ao cinema, ao teatro ou outros espectáculos que naquela altura apareciam em Lisboa.
Este clima de felicidade e boa disposição acabou bruscamente no dia 3 de Agosto de 1980, com a morte do Necas num brutal acidente de viação, quando regressavam todos de férias no Algarve, onde morreu também o Luís Manuel, filho do José Guilherme (irmão da Vina) e da Teresinha, e ficaram gravemente feridos o João Carlos, filho do Tó( irmão da Vina) e da Cândida e o Pedro e a Susana, irmãos do Luís Manuel, por isso, todos pertenciam à família Fernandes. 
A partir dessa data, nada foi igual a antes do acidente e a Rita e a Marta sentiram muito a morte do nosso querido amigo Necas. Com a morte do Necas A Rita com 10 anos e a Marta com 6 anos, confrontaram-se pela primeira vez, com a triste realidade de perderem um amigo, um amigo muito especial.

PARTILHA

Maria Lina escreveu: "Obrigada, querida Zuzu, pelo sorriso aberto que me ofereceu e que a Zuzu tenha a certeza interior, fez a Marta sorrir no céu. (Rimei sem querer, mas era isto mesmo que queria dizer. Ai, lá estou eu outra vez...).
Acredite que tenho saudades das suas alegres gargalhadas que espero continuem a ecoar. 
Acredito que o blogue vai permitir fazer uma espécie de catarse, pois sei por experiência quer dor partilhada, é dor aliviada. Bjão inspirado nos sorrisos sinceros que são a expressão exterior do belo e do bom que experimentamos. E quem é artista como a amiga, compreende lindamente o alcance desta afirmação. Santa noite, embalados por lindos sonhos de paz e bem."

PARTILHA

Querida Srª D. Zulmira...Zuzu!!!
Que bom que é vê-la a escrever...continue, faz-nos muito bem!
Só queria dar um grande beijinho pelo dia de ontem e lembrá-la que me lembro muito de si!!!
Um grande beijinho
Rita Rezende

A Rita insiste em tratar-me por Srª D. Zulmira... e eu estou constantemente a corrigi-la pois quero que ela me trate por Zuzu, como me tratam os amigos e familiares. Tem sido a minha terapeuta nestes 10 anos, terríveis de problemas de saude que tenho tido... é um amor, uma ternura e sobretudo uma óptima profissional... 
muito obrigada
um grande beijo zuzu

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PARTILHA

Nanda Ruaz escreveu: 
"Zuzu: Partilho de muito do que a Irmã Lina diz. Não deve existir maior dor do que a perda de um filho, embora racionalmente saibamos que eles não nos pertencem. 
Para além de acreditar que não existe "morte", estou convicta que só se consegue ultrapassar uma grande dor com a ajuda de um grande Amor. 
A Zuzu é fantástica a dar-se. Dê-se. Pude ver como é amada pelos seus alunos...A Marta (assim o creio e por isso o digo) fica feliz se a mãe dela for feliz.Tal como a Rita!
Por isso, amiga querida, agarre tudo o que tem de Belo e Bom na sua vida. 
Mas a Zuzu não precisa de conselhos...Aliás, só interiorizamos mesmo aquilo em que acreditamos, não é? Desculpe as minhas exortações. São fruto do muito carinho que lhe tenho. SAUDADES!!!" 
ALENTEJO,
 UMA DAS GRANDES PAIXÕES DA MARTA


Obrigada minha querida amiga, que bom sentir que está em conexão comigo... partilhar estes textos alguns recentes, outros escritos há muito tempo tem-me feito bem... a amizade para mim está apoiada na partilha... e eu quis partilhar tudo isto com amigos sinceros como a Nanda e muitos outros.
Bem Haja
Zuzu

MENSAGEM DA FERNANDA RUAZ

 Lindo, Zuzu.Sabe que a adoro, não sabe? Ontem passei a tarde com uma pessoa gravemente doente, que nunca teve amor de mãe. 
A vida é estranhamente absurda. 
Uns perdem filhos muito amados e ficam parados na dor; outros param na dor porque ficaram orfãos de pais vivos.
Que pensar? Ou antes, como agir para minorar tanto sofrimento?
Nanda 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A AIRES


Olá minha querida!
Todos os dias vou "visitar" o blog, e mais do que uma vez, é uma maneira de estarmos todos juntos com a Marta.
Eu tenho muitas recordações e muitas saudades dos nossos tempos de adolescência, das nossas conversas, das nossas brincadeiras e das nossas divergências (eu sempre muito teimosa e com mau feitio - que ainda hoje em dia conservo), mas já sou mais calminha, já vou fazer 37 anos.
 
Sabe, o meu namorado padece da mesma tristeza que eu, faleceu um amigo dele com quase a mesma idade da Marta de cancro, então temos alturas em que cada um fala e recorda as partidas, as aventuras que teve com a sua amiga Marta e com o seu amigo Francisco - Chico- como lhe chamavam os amigos.
Já lhe mostrei o blog e ele já se comprometeu a digitalizar as fotos que eu tenho da Marta.
Gostava de ter o mail da Rita, gostava de falar com ela, será que o pode enviar?
Eu tenho uma amiga, a Carla, que vive em Tavira. Somos amigas e colegas do curso da Agrária. A Carla aparece na minha vida após a morte da Marta, fomos colegas de turma e amigas até hoje. A Carla é muito parecida (não fisicamente porque é muito gordinha) com a Marta, meiga, muito responsável, com muita genica, e sobretudo muito paciente.
Isto tudo para dizer que eu vou muitas vezes a Tavira passar fins de semana e férias e podia ser que um dia me encontrasse com a Rita, se ela quiser, é claro.
 
Muitos beijinhos.

PASSEIO À SERRA DA ESTRELA

PASSEIO À SERRA DA ESTRELA
ABRIL DE 1978

Os dois passeios à Serra da Estrela que fizemos todos juntos, deixaram grandes recordações em todos nós.
O clima de amizade, de boa disposição que vivemos nesses dias, superaram o medo que sentimos quando caiu um enorme nevão e nós estávamos no cimo da Serra. Tivemos que esperar pelo limpa-neves, que só limpava um dos lados da estrada e com muita dificuldade lá conseguimos descer a Serra, rumo à Covilhã, onde tínhamos reservado quartos.
No primeiro passeio, a Marta tinha quatro anos e foi a partir desse passeio que começou a enjoar nos automóveis. Até essa data, nunca se tinha queixado de indisposição, mas nesse dia vomitou várias vezes e nunca mais deixou de ficar indisposta nas viagens.
Desde essa altura, para a Marta viajar de automóvel ou de autocarro era sempre um aborrecimento, ficava agoniada e as viagens, que deveriam ser um prazer, transformavam-se num verdadeiro enfado.
MARTA COM O KISPO AMARELO
4 ANOS ABRIL DE 1978
Quando ia em visitas de estudo, tinha muito receio de se sentir indisposta, e algumas vezes  tomava comprimidos para o enjoo, pois não se sentia nada bem com as viagens. Mais tarde, quando nós íamos dar algum passeio perto de casa, a Marta  preferia ficar em casa, pois dizia que ia ficar mal disposta e por isso optava por não viajar.
Nesse primeiro passeio à Serra da Estrela, não fazíamos ideia  do frio que iríamos encontrar, não levávamos nem roupas nem calçado apropriado para podermos enfrentar a neve e o vento gélido.
BRINCADEIRAS NA SERRA
COIMBRA PORTUGAL DOS PEQUENINOS
Brincámos na neve e ficámos todos molhados. A Marta que era a mais pequenina, molhou-se toda e eu não tinha roupa para a mudar, então toda ela tiritava de frio e tivemos que ir o mais rapidamente possível para o Hotel, onde vestimos roupas secas e procurámos secar as molhadas. Na verdade, não foi uma experiência muito agradável, mas apesar de todos esses contratempos, essas viagens ficaram para sempre registadas como grandes "aventuras" e onde a boa disposição superava todos os inconvenientes.

ANA E MARTA

ANA FERREIRA E MARTA COM 11 MESES
CASA BRANCA 29 DE DEZEMBRO DE 1974
A Ana é uma amiga da minha prima Guida. Elas adoravam brincar com a Marta, pois era uma bébé muito bem disposta. Aqui, a Marta está com cara de quem acordou da sesta há pouco tempo. A Ana, "encontrou" o blog sobre a Marta e quis partilhar connosco esta foto. Muito obrigada Ana.

AIRES

A Aires foi também uma das primeiras colegas com quem a Marta fez uma enorme amizade. A Aires era já amiga da Patrícia, e por isso a partir do 1º dia de aulas na Escola da Paiã, formou-se o trio. Eram inseparáveis: festas, cinema, festas de aniversário, passeios, etc. etc. eram sempre as três amigas que iam, onde estava uma, estavam as outras duas...
ESCOLA DA PAIÃ
MARTA, AIRES, OLGA E 2 COLEGAS , 1991
No dia 31 de Janº a Aires escreveu estes dois comentários referentes a dois posts meus:


Olá minhas queridas!
Também eu me lembro de ter recebido a notícia, confesso que 

não sei quem telefonou lá para casa, mas sei quem me deu a notícia. Foi uma colega nossa a Esmeralda que me foi bater à porta do quarto e me disse muito calmamente o que tinha acontecido. De imediato liguei para o Cacém, para casa e quem atendeu foi o meu pai, eu chorava, chorava a contar ao meu pai.
Eu vim para Beja com a Marta e fiquei por Beja, talvez seja o destino, talvez tenha que continuar o caminho que a minha amiga deixou por terminar... 

                                   ***************
Peço desculpa por interferir nunca conversa entre mãe e filha mas eu sou testemunha que a Marta foi muito feliz naquele seu quarto. Acreditem que teve muitos e bons momentos naquele quarto. Era feliz, estava na universidade, tinha a pessoa que amava perto dela, tinha tudo para ser feliz e mais não digo porque a minha amiga está a ver-me e eu não posso revelar os segredos dela, são segredos. 

A PATRICIA

PATRÍCIA NA ESCOLA DA PAIÃ, COM 16 ANOS ,
MARÇO 1990
A Patrícia conheceu a Marta no 1º dia de aulas na escola da Paiã. Tornaram-se amigas íntimas, eram "cumplices" uma da outra. Iam ao cinema, iam passear aos fins-de-semana, faziam tudo sempre juntas, pois a Patrícia morava em Mira-sintra e por isso os transportes que usavam eram os mesmos. 
Texto escrito no dia 30 de Janeiro de 2011, pela Patrícia Lança para a Rita sobre o dia da morte da Marta:

Rita!!! Que saudades, querida amiga, que saudades :)


Lembro-me de tudo. É daquelas coisas que nos ficam gravadas na alma. Como é que me posso esquecer?? Tu não me disseste, confirmaste. Sabes, não acredito nada no 6º sentido, mas eu senti que alguma coisa estava errada, muito errada. Eu é que fui brusca contigo. Arranquei-te a notícia aos gritos. Tu só confirmaste. Lembro-me de tudo. Lembro-me da viagem que fiz para o Alentejo, lembro-me da música que ouvi vezes sem conta, lembro-me do silêncio durante toda a viagem. Lembro-me também de termos andado sem rumo, durante a noite, a visitar alguns dos sítios que a Marta gostava. Lembro-me do nosso silêncio cúmplice. Lembro-me acima de tudo do sorriso da Marta. Se fechar os olhos vejo o sorriso dela, como se a tivesse visto ontem.
Temos de nos encontrar sim, e há de certeza tanto para conversar. Um beijo enorme. 
PATRÍCIA, NUNO GARCIA E DAVID SIMÕES
ESCOLA DA PAIÃ, MARÇO 1990


Patrícia Lança 2/2 às 17:28 
Zuzu...tantas saudades!!!
Tenho lido o blog, e confesso que tanto me arranca sorrisos como muitas saudades e tristeza. Enfim, temos de saber e aprender a viver com o que a vida nos oferece, não é?
Já "falei" com a Rita, e foi muito bom. Tal como lhe disse a ela, apesar dos anos terem passado parece que foi ontem que estivemos juntas. Há uma sensação de conforto e compatibilidade que não se perde.
Eu estou bem. A precisar loucamente de férias (muito mesmo), mas bem e a levar o barco para a frente.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Lembro-me perfeitamente dessa semana

 Lembro-me perfeitamente dessa semana, desses dias, como se tivesse sido ontem. Falámos no dia 3, e eu como sempre falei pelos cotovelos. Quando parei percebi que havia alguma coisa que não estava bem. O tom de voz era diferente, a respiração era outra. Como sempre a Marta desdramatizou. Trocámos algumas alegrias e lamentos, e ficámos de nos encontrar daí a uns dias. Lembro-me que quando o telefone tocou, no dia seguinte, e me disseram que era a Rita, o meu coração parou. Não sei explicar o porquê, mas o meu coração parou.


Patrícia Lança