MARTA

MARTA
O ADEUS PRECOCE DA MINHA ESTRELA MAIOR

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TEXTO DA ZUZU NO DIA DO LANÇAMENTO DO LIVRO MARTA

Muito boa tarde
Em primeiro lugar, quero agradecer a todos vós pelo facto de estarem aqui comigo,  neste dia tão quente de Verão.
Quem aqui está, sabe da importância que este livro tem para mim.
Desde que a Marta partiu, comecei por escrever-lhe todos os dias uma carta. Nunca adormecia sem lhe escrever a contar-lhe os episódios do meu dia-a–dia ou para lhe dizer como sentia a sua falta. Mais tarde, comecei a pensar que poderia fazer um livro com as cartas, já escrevi 25 cadernos A4, mas, como digo na nota introdutória, muitas das cartas eram tão intímas que eu me iria expor demasiado. O tempo foi passando, muitas coisas, mas mesmo muitas coisas aconteceram, nestes 20 anos... e apesar de nunca ter posto completamente a ideia de parte, pensava que nunca conseguiria fazê-lo. Tive a sorte, num dia de Outubro do ano passado, ter encontrado, aqui em Estremoz, o editor Jorge Castello Branco e o escritor Joaquim Murale, que leram o manuscrito e acreditaram no projecto. Com a ajuda do meu genro Bruno que fez a capa e a organização das fotografias e com a colaboração precisosa de Joaquim Murale que organizou o que estava numa completa desordem  e da minha filha Rita que tudo corrigiu, consegui cumprir os prazos a que o editor me porpôs.
Não me vou alongar mais, este livro é uma homenagem que eu presto à minha Marta, a minha Marta que se instalou num “buraquinho” junto do meu coração, e nunca mais de lá saiu. Também acredito que possa ser uma das estrelas que brilham no céu, mas acredito mais que  a sua alma esteja dentro de mim, pois durante estes 20 anos, ela têm-me acompanhado sempre, sempre, nos momentos bons, menos bons, e maus que tenho passado... ela é a minha companheira constante... com quem falo em pensamento, a quem peço ajuda, a quem falo dos projectos, das alegrias, das tristezas e  das saudades enormes que a sua partida súbita me causaram.
A Marta gostaria e desejaria que esta apresentação fosse uma festa e por isso vai ser um dia de alegria; assim, convidei as minhas queridas alunas e amigas da Academia Sénior de Estremoz para lerem poemas da Marta, pedi à Sandra Battaglia que dançasse uma dança muito especial  para nós, pedi à minha amiga Risoleta que cantasse a acompanhar a Sandra na sua dança, pedi à Sílvia Rebocho, minha mais recente amiga, que cantasse um ou dois fados, pedi ao Luis Rosa que tocasse para nós, às minhas amigas Beatriz e Inês que dissessem um poema da Marta e que cantassem uma canção à sua escolha,  pois a Marta adorava tudo isso: ela adorava  a dança, a música, a alegria, a boa disposição, o convívio entre todos.  Quem ler o livro vai concordar com aquilo que acabo de dizer, a Marta gostava muito das pessoas, dos amigos, da boa camaradagem.
Um bem-haja  a todos e a todas os funcionários da Câmara Municipal de Estremoz, que mostaram sempre uma enorme disponibilidade para que os meus desejos se concretizassem.
Um enorme obrigada a todos por colaborarem comigo na elaboração desta pequena festa e por dedicarem esta tarde à homenagem à Marta.  
Zuzu
Passo a ler um texto que a vereadora Drª Márcia me deixou para ser lido neste dia:
Minha querida amiga Zuzu
Infelizmente, por já ter férias marcadas há bastante tempo, hoje não poderei partilhar consigo e com os presentes a apresentação do livro da Marta. Chamo-lhe “livro da Marta” porque na realidade este livro é dela. Foi escrito com muito amor, emoção, saudade e dor pela sua mãe para que as estrelas lho fizessem chegar. E assim foi. O Universo cumpre sempre os seu papel.
Como lhe disse, apesar de ainda não ter lido o livro, li todas as cartas que escreveu à Marta no seu blog. Tudo numa única noite. A sinceridade e intensidade da sua escrita emocionou-me de tal forma que nessa noite não consegui dormir. Como é que eu poderia imaginar que aquela mulher tão feliz e tão bem disposta que eu conhecia, vivia na dor de uma mãe que perdeu um filho? Não deve haver dor maior!!!
Querida Zuzu,  a sua capacidade de gerir essa dor, de ajudar outras mães que vivem o mesmo sentimento e de nos emocionar profundamente ao contar a história da Marta, aumentou ainda mais a minha admiração por si. Que afortunada sou, porque a conheci e me tornei sua amiga.
Beijinhos especiais.
Márcia
18/julho/2015





ZUZU POEMA DE GINA FERRO

Zuzu
Já colhi, da tua mágoa, o pranto 
Dessa tão agre e profunda tristeza 
E afundei mais a magoada certeza
Que não há dor maior que magoe tanto
Mas, se te puder servir dalgum conforto
A que é minha íntima convicção
É que tudo acontece por razão
De virmos e rumarmos a outro porto
A Marta teria escolhido assim
Um viver curto e feliz a teu lado
Legando-te vivências dum passado
E com essas mil memórias sem fim
Terás de construir um novo presente
Onde ela viva, em corpo, ausente! 
Georgina Ferro
No meio da tua dor, podes reconfortar-te com a alegria da sua vida linda de amor... Foi uma perda sem medida, mas pelo menos, deixou-te a alma repleta de bons momentos... Que bom poderes multiplicá-los entre nós. E se hoje, temos a sorte de usufruir do viver dos nossos filhos, e tu da tua Rita, talvez o que tu nos mostras na Marta, nos sirva para mais valorizarmos o que temos! Espero que sintas na Rita o AMOR em duplicado.


CARTAZ DA APRESENTAÇÃO DO LIVRO NA CASA DE TURISMO DE ESTREMOZ


APRESENTAÇÃO DO LIVRO MARTA E DO LIVRO A GEOMETRIA DO AMOR NA CIDADE DA MAIA


LIVRO MARTA - O ADEUS PRECOCE DA MINHA ESTRELA MAIOR

17 de Agosto de 2015
Olá, Zuzu Baleiro!

Já terminei a leitura do seu livro na Segunda-feira passada, mas a falta de disponibilidade desta semana impediu mais cedo este email.
Tenho a dizer-lhe que há muito não lia um livro tão rapidamente, mas comecei por me envolver na sua dor e depois fui lendo (e resistindo à mania que tenho de começar um livro pelo final) sempre na expectativa que a Zuzu tivesse encontrado um lenitivo para tamanha dor, estilo “receita” para outras almas sofredoras (eu desde sempre lido mal com a morte, acho haver muita falta de educação nesse sentido, pois a morte é um tabu apesar de fazer parte da vida de todos nós. Penso assim desde os meus 8 anos, quando assisti aos últimos minutos de vida do meu avô materno, e toda a cena me ficou gravada na memória). Esse lenitivo que eu esperava, não veio. Possivelmente nem existe, ou se existe, cada uma, cada um, terá de o encontrar à sua maneira…
Eu perdi um menino que nasceu a 9 e foi enterrado a 12 de Setembro de 1973. Só quem passa pela situação sabe avaliar…
Apesar de não encontrar essa esperada "receita", confesso que o final do livro em nada me decepcionou. Pelo contrário. O livro é, para além de um testemunho da dor e da resistência de uma Mãe, um precioso ALERTA. Gostei muito. E só poderia gostar ainda mais, se soubesse que este livro servirá de catarse para o seu coração e a sua mente. Não sei se servirá… mas sei que isso É POSSÍVEL!... E A MARTA GOSTARIA QUE ISSO ACONTECESSE!...  

Um beijinho muito grande, ZuZu.


P.S.
Transcrevo um “desabafo” meu, de 24 de Abril 1991, relacionado com o sofrimento da minha querida mãe e a minha impotência perante a morte, que a levaria a 15 de Junho desse ano.

“DOR”
O céu é azul
A terra é verde.
As nuvens são brancas,
Estas que estou a ver.
Só a minha dor…
Não tem cor!...
E o céu
O mar
A terra
O ar,
Tudo tem nome.
Menos esta dor que me consome.
Sem nome e sem cor
Porque dói tanto
Esta dor?!...

A Marta escreveria um dia, qualquer coisa assim parecida, se não tivesse ido antes do tempo. Nascemos destinados a sofrer a partida dos que amamos... E isso dói tanto...  A nossos olhos, não é justo. Resta-nos a esperança de que a Natureza faça tudo bem feito, mesmo aquilo que possamos reprovar, por escapar à nossa compreensão. 
Um abraço, do tamanho da distância entre a minha terra, e aí, a Casa Branca...  


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Não fique no meu túmulo a Chorar

Do Not Stand At My Grave And Weep
Do not stand at my grave and weep
I am not there
I do not sleep
I am a thousand winds that blow
I am the diamond glints on snow
Do not stand at my grave and cry
I am not there
I did not die

I am the sunlight on ripened grain
I am the gentle autumn rain
When you awaken in the morning's hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circled flight
I am the soft stars that shine at night
Do not stand at my grave and cry
I am not there
I did not die

When you awaken in the morning's hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circled flight
I am the soft stars that shine at night
Do not stand at my grave and cry
I am not there
I did not die

Do not stand at my grave and cry
I am not there
I did not die

Não fique no meu túmulo a Chorar
Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá
Eu não durmo
Eu sou os mil ventos que sopram
Eu sou o diamante que cintila na neve
Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá
Eu não morri


Eu sou a luz do sol nos grãos maduros
Eu sou a chuva de outono suave
Quando você acorda no silêncio da manhã
Eu sou o rápido animador
Das aves tranquilas que rodeiam em vôo
Eu sou as estrelas que brilham suaves na noite
Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá
Eu não morri

Quando você acorda no silêncio da manhã
Eu sou o rápido animador
Das aves tranquilas que rodeiam em vôo
Eu sou as estrelas que brilham suaves na noite
Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá
Eu não morri

Não fique no meu túmulo a chorar
Eu não estou lá
Eu não morri

"Do Not Stand at My Grave and Weep" is a poem written in 1932 by Mary Elizabeth Frye. Although the origin of the poem was disputed until later in her life, Mary Frye's authorship was confirmed in 1998 after resea "
Katherine Jenkins, OBE (born 29 June 1980) is a Welsh lyric mezzo-soprano, singer and songwriter. She is a popularclassical-crossover singer[1][2] who performs across a spectrum of operatic arias, popular songs, musical theatre and hymns.[3]

https://www.youtube.com/watch?v=sCgigJ0nzbw




Do Not Stand At My Grave and Weep, sung by Katherine Jenkins, Illustrate...

Do Not Stand At My Grave and Weep (Illustrated) Poem with Katherine Jenk...

sábado, 24 de janeiro de 2015

MARTA MAIS UM ANO SEM TI.
Não fique no meu túmulo a chorar,
Eu não estou lá; Eu não durmo.
Eu sou mil ventos que sopram,
Eu sou o diamante que brilha na neve,
Eu sou a luz do sol em grãos maduros,
Eu sou a suave chuva de outono.
Eu sou o acordar nas manhãs silenciosas
Eu sou o silêncio dos pássaros em voo circular.
Eu sou as macias estrelas que brilham na noite.
Não fique no meu túmulo a chorar,
Eu não estou lá; Eu não morri.
MUITAS SAUDADES MÃE ZUZU
"Do Not Stand at My Grave and Weep" is a poem written in 1932 by Mary Elizabeth Frye. Although the origin of the poem was disputed until later in her life, Mary Frye's authorship was confirmed in 1998 after resea "
Katherine Jenkins, OBE (born 29 June 1980) is a Welsh lyric mezzo-soprano, singer and songwriter. She is a popularclassical-crossover singer[1][2] who performs across a spectrum of operatic arias, popular songs, musical theatre and hymns.[3]

https://www.youtube.com/watch?v=sCgigJ0nzbw

dia 21 de janeiro de 2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

POEMA

Não me procures mais no cemitério
Onde depositaste o meu corpo
Isso seria um vitupério 
Pois se o cadáver ficou torpo
Eu, o teu filho, irmão, amigo…
Ficarei no viver do teu dia
Em que quiseres estar comigo
Desfrutando só, da alegria
 .........................................................................................................
Como te despenteia o vento
No seu tresloucado corrupio
Assim, farei ao teu pensamento,
Para que, em suave delírio
Ele te usurpe a tristeza
Deposite, em ti, a pujança 
Daquela vontade de vencer
E de manter a chama acesa
A tal luzinha de esperança
A quem dependa do teu querer
..................................................................................................................
Abrandarei o gelo em neve
Quando a dor pungente ferir
Abrirei teus olhos, ao de leve,
Para veres aquele sorrir
Que inda guardas no coração
Ele te abrandará a mágoa
E te fiará o meu Amor
Numa imagem de ilusão
Tal luzente espelho de água
Irradiando brilho e cor
..........................................................................................................................
E, se a noite for tão escura,
Se teu coração quiser saltar,
Sai, vai fixar o céu com ternura…
Nessa estrela que vês brilhar
Estou eu, a doar-te alento,
Enviar voz ao teu pensamento
Em melodia de som e dança
Veste uma túnica suave
Liberta o cabelo da trança
Faz da nuvem negra tua nave
E roda, volteia, rodopia… 
Sou eu, o centro dessa utopia.
.. .................................................................... ...............

Georgina Ferro
23 de Janeiro de 2015   
 
Minha querida Georgina Ferro o poema que partilhaste na minha página, dedicado ao André é de uma intensidade, de uma força que nos emociona, comove e arrepia obrigada pela partilha
Georgina Ferro Ele é dedicado à Marta e sua mãe, Zuzu; e ao André e Ana. A minha humilde homenagem... Se eu tivesse uma verdadeira fé, dir-vos-ia que cada um deles escolheu vir viver assim uma vida curta mas uma vida plena ... tristes ficam as mães sem terem as carícias, os sorrisos, as traquinices... e todas aquelas coisinhas que uma mãe vai guardando e que precisamos de recordar para que eles continuem vivos em nós...
Zuzu Baleiro Minha querida amiga muito obrigada . Vou guardá-lo para o colocar no livro que estou a escrever sobre a Marta. Este ano, 2015 estava disposta a publicá-lo, vamos ver se os meus projectos não vão sair gorados. Um grande beijo da amiga 
Zuzu Baleiro

Georgina Ferro Vai publicar, sim... Pois é a forma de sentir mais viva a sua companhia! E entre a dor e o sorriso há um re(viver) de coisas boas... Também o parto é doloroso e mal ouvimos o primeiro choro abrimos o nosso sorriso