MARTA

MARTA
O ADEUS PRECOCE DA MINHA ESTRELA MAIOR

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O CIRCO

Todos os anos, pelo Natal, o banco oferecia um espectáculo de circo no Coliseu, para os filhos dos empregados.
O Zé não gostava de ir, então eu lá ia com a Rita e com a Marta.
Um ano, ficámos nos camarotes e a Marta meteu um pé por dentro das grades do camarote. Estavam já as luzes apagadas e o espectáculo para começar, quando ela me disse que tinha o pé entalado no ferro forjado do camarote. Tentei tirar-lho, mas não consegui. Ela já estava um pouco assustada com a situação. Então, descalcei-lhe a bota, com muito cuidado para que não caísse cá em baixo, e só depois da bota descalçada é que a Marta conseguiu tirar o pé.
Foi um alívio enorme.
Vimos o resto do espectáculo já bem dispostas.
 Elas adoravam ir ao circo e por isso esse dia era sempre um dia de grande animação. O banco oferecia a cada criança um saco com rebuçados, sumos, bolachas e outras gulosiemas que elas comiam no decorrer do espectáculo.
O Circo

POESIA E GATO

A RUA DAS CAMÉLIAS

A CASA DA FAMÍLIA

A Marta sempre teve muito jeito para desenhar e "retratar" a família através de desenhos feitos por ela. Neste a casa está dividida em 3 partes: o pai, a mãe e a Rita. O pai está deitado; a mãe cozinha o jantar e a Rita está no quarto e dirige-se para a cozinha para jantar.
São desenhos muito infantis, feitos com 6 ou 7 anos

desenhos

Desenho feito pela Rita e pintado pela Marta  em 1982

Como um livro aberto: Ao jeito de uma máxima

Como um livro aberto: Ao jeito de uma máxima

domingo, 13 de fevereiro de 2011

FÉRIAS EM MONTE GORDO

MARTA, 2 ANOS
PRAIA DE MONTE GORDO

No ano seguinte, em Julho de 1975, passámos as férias num apartamento em Monte Gordo, no Algarve. Levámos a minha mãe connosco. O meu pai ia aos fins de semana e ficava connosco até  meio da semana.
O apartamento era muito bom, muito espaçoso e ficava perto da praia. todos os fins de semana tinhamos a visita do tio António Manuel e dos filhos Ana Catarina e Angelo, do tio Rodrigo e Odília.
O avô Rodrigo e avó Dolores que ficaram lá uma semana  connosco, era a primeira vez que gozavam 8 dias de férias, pois como tinham o café, este nunca fechava.
Os nossos vizinhos do lado, a Suzete e o Fernando Magno, tinham três filhos, a Mónica, da idade da Rita, o Rodrigo, da idade da Marta e a Filipa, com meses, tornámo-nos  amigos, os miúdos brincavam todos juntos enquanto os adultos organizavam lanches e passeios, onde reinava a boa disposição e a alegria.
Alugámos um toldo durante todo o mês, tínhamos um saco enorme cheio de brinquedos e almofadas, que o banheiro guardava à tarde. Os miúdos brincavam imenso, com  as crianças dos toldos vizinhos.
No ano seguinte, no Verão de1976, voltámos a fazer férias no mesmo apartamento em Monte Gordo, as miúdas já estavam mais crescidas e por isso já não me davam tanto trabalho. Continuámos a ter como vizinhos a família Magno e a conhecer outros amigos que aumentaram o grupo de férias.
Durante esses dois anos de férias, vivemos momentos inesquecíveis em amena cavaqueira, grandes convívios, que a Rita e a Marta nunca mais esqueceram.

DEPOIS DA LENA LER O MANUSCRITO

Termas de Cabeço de Vide, 8 de Agosto de 1999

MARTA, FÉRIAS EM AMARELEJA
AGOSTO 1990

QUERIDA ZUZU
Li sofregamente o manuscrito do livro sobre a Marta. Fiquei muito contente por conhecê-la melhor. 
Quando a Elsa me deu a notícia da morte da Marta, ao telefone, fiquei muito angustiada e nervosa. Estava só com o Tomás ( ainda Bébé) em casa e enquanto me corriam as lágrimas repetia: “ Que horror! Que horror! Não acredito! “ E cá no fundo ficou a tristeza e a frustração por eu não ter conhecido melhor aquela bébé sorridente e simpática, que eu tanto amei e durante meses dei beijinhos na sua fotografia porque sentia saudades dela. E também a frustração de ela não Ter sequer conhecido o meu primeiro filho. Ele nunca iria ver a prima Marta!
Foi também muito doloroso, mas ao mesmo tempo gratificante para mim, ler a parte sobre o último ano da vida da Marta. Porque agora fiquei a conhecer melhor tudo o que se passou e como se passou - A VERDADE.
Peço-te desculpa por não ter conseguido ler as tuas cartas, porque têm um tal peso de dor, que me é insuportável. Não estou no melhor ambiente para dar largas à minha sensibilidade exacerbada. A última parte já teve que ser lida na casa de banho entre lágrimas mudas.
Eu sei que a ti, na tua dor lancinante de todos os dias, viveres a realidade, te vai parecer mais uma vez uma atitude egoísta, mas em toda a minha vida nunca consegui reagir de outro modo às coisas e não é agora em “ velha” que me vou modificar.
Custa-me, porém, falar-te na minha dor pela Marta, pois ela deve parecer-te uma brincadeira ao pé da tua dor de Mãe.
Quero que saibas que te admiro muito pela tua coragem, a coragem com que enfrentas cada dia e a maneira como consegues sempre conversar e ser simpática para os outros com as tuas sonoras gargalhadas contagiantes.
Sei que nunca vou poder ajudá-los, mas acho que um pensamento bom para vocês é o facto de terem tido um privilégio que eu quase não tive - conhecer e conviver com uma pessoa tão fantástica e insubstituível como a Marta.
Escrevi-te porque estou muito comovida e não consigo ir lá para fora, nem me apetece. Por isso, aqui enclausurada na cozinha, escrevo-te aquilo que te queria dizer.
A tua prima sempre amiga
Lena Varela

RECADOS À MARTA

Marta

MARTA, SALA DE MASSAMÁ, 16 ANOS
Era Sábado, um dia que no meu entender ia ser bem diferente do habitual.
Eu, o tio António Manuel e o casal Marques tínhamos combinado ir ao Alentejo, fazer um almoço.
Estava deveras animada pois, o mês de Fevereiro é sempre para mim muito especial. Os campos floridos, o Sol de Inverno que brilha por entre as nuvens, a temperatura amena e principalmente a acalmia alentejana, fazem-me sentir um grande bem estar.
Mais tarde, vim a saber que também tu irias estar presente com os teus pais e um amigo, nesse almoço, em casa da avó Dolores. 
Fiquei ainda mais animada.
Mas querida Amiga, nem tudo o que pensamos e desejamos é a realidade e aquele Sábado acabou por ser de uma grande tristeza e dor, uma dor muito profunda para todos nós e tão difícil de descrever…
A tua missão nesta vida tinha terminado...
A saudade e o desgosto ficaram em todos os que te amavam e admiravam.
Aquele dia 4 de Fevereiro, soalheiro e calmo, tinha escurecido de repente; tudo à nossa volta ficou medonho.
Em silêncio, os nossos olhares cruzavam-se e todos nos interrogávamos sobre o porquê de tão repentinamente ( na flor da vida) teres partido.
Mas há tantos porquês; e sem querer a revolta instala-se, continuo sem perceber o porquê da tua morte, de tanto sofrimento e de tantas lágrimas.
Por vezes, parece-me que nesta vida há um terreno ressequido onde as sementes são de dor.
Só me resta um pouco de Fé. E é em nome dessa Fé  que peço ajuda para todos nós, que tenhamos capacidade de reconhecer que continuas connosco e que na escuridão, a tua presença é uma certeza.

Lá longe, muito longe onde te encontras, o teu Espírito de Luz vai de certeza nos iluminar e vai dar-nos capacidade de responder àquilo que para nós continua sem resposta.

Que Deus ilumine a tua Alma

                                              Da Amiga que muito te Admirava
                                                                LENA 

À MARTA QUE EU VI CRESCER (ODÍLIA)


RITA, MARTA (2 ANOS),  ELSA
Quando a conheci teria uns dois anos e logo gostámos uma da outra.
Acompanhei o seu crescimento e hoje dói-me quando penso que não a verei mais.
Dói-me por ela e pelos pais cuja dor eu não consigo imaginar o tamanho.
Quando o povo diz: “ O sangue corre às veias , lá terá as suas razões. Neste caso, a Marta, minha sobrinha por afinidade, sinto o seu desaparecimento como se de sangue meu se tratasse.
Acontece-me, frequentemente, na rua, olhar uma jovem que passa e nela encontrar inúmeras parecenças com a Marta : na expressão, no olhar, no cabelo, no sorriso “ para a tia Odília”.
Estará sempre no meu coração!

Lisboa, 25 de Outubro de 1999

                                                          Maria Odília Baleiro

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OS MEUS RECADOS À MARTA

MARTA 16 ANOS
FÉRIAS EM AGOSTO , AMARELEJA

Minha querida Marta 

Passei quase todo o dia de Sábado a arquivar os teus desenhos e os desenhos feitos pela Rita.
Desenhos infantis cheios de amor e alegria, que vocês gostavam de oferecer ao pai, à mãe e aos avós. Procurei arrumá-los o melhor que pude, para poder vê-los quando me apetecer.
Aproveitei o dossier muito bonito que tu me ofereceste no dia dos meus anos para guardar os teus desenhos e as tuas cartinhas.
O pensamento voa-me para ti e não consigo escrever-te. Procuro concentrar-me, mas hoje é difícil. Cada dia que passa, tenho mais saudades tuas.
Quando estava no cabeleireiro, apareceu o Pedro, filho da D. Olívia, que é da tua idade (22 anos), morou sempre no nosso prédio da Rua das Camélias,  sempre cresceu junto de vocês, bem como outros  amigos do prédio.
Falou da tua simpatia e da maneira como ele se lembra de ti e da Rita, das brincadeiras na rua e de como todos eram amigos. Não consegui controlar-me e chorei; não queria chorar, mas a minha tristeza é maior do que a minha vontade. Como eu estou a sofrer!...(...)
O pai teve uma das suas enxaquecas, teve que tomar 2 comprimidos e estava muito abatido. Cada dia que passa, mais difícil é para ambos enfrentarmos a realidade.(...)
Muitos beijos da mãe amiga
Zuzu

Massamá, 3 de Junho de 1995

RECADO

FÉRIAS EM AMARELEJA
AGOSTO DE 1990 C/ 16 ANOS


Minha Querida Marta
Como foste sempre tão meiga e amiga de partilhar o imenso amor que tinhas dentro de ti!...
Tenho estado a ver os desenhos e as cartinhas que nos escrevias a mim e ao pai, quando eras pequenina. Desenhos cheios de ternura e que lembram a menina meiga e boa que tu eras e sempre foste.
Como não me apercebi quando nasceste, de que serias uma menina especial e que estarias tão pouco tempo  (apenas 21 anos! ) comigo? Porque não descobri que deveria ter-te acarinhado, amado e dado mais atenção em todos os momentos da tua vida? já que esta foi tão curta?
Lembro-me das longas conversas que tínhamos quando começaste a tua adolescência. Todas as noites, tu tinhas dúvidas, estavas triste, sentias-te perdida, desencontrada, dividida ... então eu procurava pôr as ideias mais organizadas na tua cabeça. Eu conversava muito contigo e tu ouvias, porque sempre soubeste ouvir!... Quantas e quantas noites, não me fui deitar já bastante tarde e muito cansada, porque os teus " problemas" de adolescente não tinham fim.
FÉRIAS EM AMARELEJA
AGOSTO 1990 C/16 ANOS
Hoje, que sei que nunca mais poderei falar contigo, revolto-me e fico irritada comigo por não te ter dado ainda uma maior atenção e mais carinho.  Tu sempre foste tão boa e meiga!... adoravas o pai, a mãe e a Rita ... éramos para ti, os seres mais importantes que te rodeavam ... Eu não podia adivinhar que seria tão passageira a tua vida aqui na Terra.
Amanhã, vou arrumar os teus cadernos, e outros materiais que trouxemos de Beja. Vamos guardar tudo na arrecadação, para que não se estraguem.
Os teus livros estão na tua estante do escritório, e ainda não tive coragem de lhes mexer. Como tu estimavas as tuas coisas! Como tratavas todas as tuas coisas pessoais com carinho e amor!... Os objectos mais insignificantes tinham para ti o mesmo valor de uma coisa importante... Amanhã vamos arrumar tudo, de modo a podermos vê-los quando nos apetecer…para vermos como tu, Marta eras tão organizada, tão trabalhadora e muito cumpridora das tuas obrigações.
Apetece-me chorar alto. O pai dorme a meu lado e eu queria chorar, chorar para aliviar esta dor imensa que me oprime. Como é possível ter-nos acontecido isto a nós? A ti, minha querida filha, tão boa, tão meiga, tão amorosa. Como eu tenho saudades tuas!... Como eu estou revoltada com esta vida horrível que me estava destinada!...
Massamá, 2 de Junho de 1995           (1h 20m)
Até amanhã.
Muitos beijos da mãe  Zuzu

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A MINHA MARTA: Como um livro aberto: por hoje, só uma música...:) Mas uma música linda.

A MINHA MARTA: Como um livro aberto: por hoje, só uma música...:) Mas uma música linda.

RECADO PATRICIA

Querida tia:
 

Tenho estado a lê-lo com sorrisos e algumas lágrimas pelo meio. Estes pequenos momentos são o reflexo do que vamos passando ao longo da vida: sorrisos, lágrimas, felicidade, tristeza.
Fico muito feliz que o tenhas feito.
Traz-me memórias, boas memórias. Das férias, dos dias que ia para vossa casa, dos aniversários, dos momentos familiares.
Tenho muito orgulho em pertencer a esta família.
Ontem fui ver o filme que a Rita me tinha falado, realizado pelo Clint Eastwood: "Outra Vida". Devias vê-lo.
No meio da vida que se nos apresenta por vezes, apressada, disconecta, esquecemo-nos de tanta coisa...do que existe para além de nós, da nossa vivência, do nosso corpo. Esquecemo-nos que somos alma e que vivemos para além desta coisa, por vezes estranha que nos custa a entranhar,esta coisa ao mesmo tempo magnífica que se chama Vida. Esta dualidade, teremos de viver com ela e aprender a viver nela. Aceitar. Cada vez mais acredito que, se aceitar tudo fará mais sentido. Aceitar não no sentido "vegetal", inactivo. Mas aceitar porque de alguma forma os caminhos são escolhas, umas vezes fáceis, outras nem por isso. Mas acredito que se aceitarmos tudo será mais fácil e as "visões" e "sinais" serão mais conscientes.
 
É um blog muito corajoso, emotivo, de coração. E penso que só assim faz sentido falar da Marta.
Alguém um dia me falou em "almas velhas".Almas que já viveram várias vezes e muito, com muitas experiências, presumo. Foi o que interpretei.
Acredito que a Marta seja uma " alma velha", que veio cá para aprender mais um pouco, mas acredito, para ensinar muito.
 
Um beijo muito grande, da sobrinha que gosta muito, muito de ti.
 
Patrícia

A minha resposta:

Minha querida Pat
Sim, também concordo que tenho estado a ser muito corajosa por expor toda esta avalanche de sentimentos. Mas tinha que partilhar com os amigos e familiares o que tenho sofrido com a partida da Marta. E parece que me está a dar força, para continuar...
Tantas fotos onde tu estás!!! vou publicá-las conforme forem surgindo os posts.
Vou tentar ver o filme, mas sabes que nós aqui no Alentejo, estamos longe de tudo...
Um beijo muito, muito grande da tia que tem muito orgulho da actriz, da pessoa que tu és...
zuzu
 

A MINHA COLEGA CRISTINA

Olá Zulmira, lembro-me bem da tua alegria na faculdade e mais tarde na Forval e infelizmente lembro-me também de ter recebido a triste notícia e da forma como te vi nos dias seguintes, parecia que não vivias, apenas flutuavas nesta vida.
Gostei muito de te encontrar no facebook e só tenho pena que não tenha sido há mais tempo pois vivi 4 anos em Monforte e poderíamos ter-nos visto.
Quero apenas dar um grande beijinho a uma grande Mulher que com toda a coragem partilha com todos nós o sofrimento que viveu.
A Marta está certamente muito orgulhosa da mãe que tem!
Beijo grande. cristina

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

OS ANIMAIS - 3ª CLASSE 27/10/1983

  
Os animais
Eu gosto muito de animais.
O animal que eu gosto mais é do cão.
Mas a minha mãe não gosta de ter animais em casa,
 porque um dia a minha mãe teve um canário  que morreu e depois custou-lhe muito deitá-lo fora.
Há muitos animais, como por exemplo: cão, gato, égua, macaco, cavalo, hipopótamo, girafa, etc.
Estes animais todos estão no Jardim Zoológico.
 Eu gosto de todos estes animais.
O meu avô diz-me: - “Marta, quando fores grande e se quiseres um cão e quem viver contigo não gostar de animais diz-lhe: - Quem gosta de pessoas gosta de animais!”
  3ª classe      27/10/83

1º E 2º ANOS DO CICLO PREPARATÓRIO - ESCOLA PREPARATÓRIA DE MASSAMÁ

FESTA DOS 10 ANOS DA MARTA
O BOLO DE ANOS É UM COMBÓIO
Todos os inícios dos anos lectivos eram vividos com um entusiasmo enorme pela Marta. 
Ela tinha um grande prazer e uma imensa alegria quando ia comprar os livros e todo o material necessários para o ano lectivo que se iniciava. Adorava cadernos com capas do Snoopy, lápis, borrachinhas, canetas tudo aquilo que era preciso, mas tudo muito bonito, alegre e divertido.
FESTA DOS 10 ANOS DA MARTA
A Escola Preparatória de Massamá ficava ao fundo da Rua da Tascoa, muito longe da nossa casa e não havia transporte para lá, assim a Marta fazia o percurso quatro vezes por dia e alguns dias seis vezes, , o que me preocupava bastante pois era uma rua muito comprida, um pouco isolada e a subir. Às vezes chegava cansada, mas nunca se queixava, fazia-o sempre de boa vontade e adorava ir e vir conversando com as colegas em  pequenos grupos.
No 2º ano do Ciclo Preparatório, fez amizade com a Clara e tornaram-se amigas íntimas. Não podiam estar uma sem a outra e quando vinham da escola voltavam a juntar-se para falar e ouvir música. 
A Clara era a confidente e amiga que a Marta tanto necessitava, pois ela sempre gostou de "desabafar" os seus problemas, as suas tristezas e as suas alegrias e a Rita, adolescente com 14 anos,  estava a passar uma fase em que não tinha muita paciência para ela. Foram dois anos em que a Marta não precisou de fazer amizade com mais nenhuma colega, pois elas entendiam-se  muito bem. 





3ª CLASSE – COLÉGIO JÚLIO DINIS - QUELUZ



TURMA DA 3ª CLASSE
MARTA JUNTO À PROFESSORA À DIREITA
O ano lectivo decorreu sem incidentes e a Marta transitou para a 3ª classe, com a mesma professora. Aprendeu com muita facilidade, não tinha dificuldades de maior em qualquer disciplina, mas os erros ortográficos eram  o maior problema da Marta. Muitas vezes, quando eu a ajudava a fazer os trabalhos, tínhamos "zangas" pois eu achava que a Marta devia treinar mais a escrita, pois os erros ortográficos deixavam-me com “os cabelos em pé”!

MARTA 3º CLASSE
Os directores do colégio gostavam imenso da Rita e da Marta. Eram umas crianças muito educadas, muito respeitadoras e nunca davam uma má resposta quer a professores quer a empregados. Faziam amigos com facilidade e davam-se bem com toda a gente. A Marta andava muito feliz, pois adorava andar na mesma escola da irmã. À tarde, por volta das seis horas, o pai ia buscá-las e trazia-as para casa, eu vinha de autocarro muito mais tarde.
Foi um período das nossas vidas bastante bom, onde havia muita harmonia e boa disposição, pois  eu estava a exercer uma profissão que me deixava satisfeita e as miúdas apercebiam-se que eu andava feliz por poder trabalhar fora de casa.






4º CLASSE – ESCOLA PRIMÁRIA DE MASSAMÁ

A Marta ia transitar para a 4ª classe e a Rita ia para o Liceu de Queluz para o 7ºano. O mês de Outubro estava no início e eu consegui matricular a Marta na Escola Primária de Massamá, na turma da D. Nazaré, antiga professora da Rita, de quem a Marta sempre tinha gostado muito.
A Marta teve pena de deixar o colégio onde tinha muitos amigos, mas percebeu que se eu estava em casa não se justificava a despesa num colégio particular.
A Rita iniciou o 7º ano no Liceu de Queluz e manteve-se aí até ao 12º ano.
A 4ª Classe da Marta decorreu sem incidentes. Fez novos amigos e gostava sobretudo muito da professora. Continuou muito trabalhadora e aplicada e no final do ano transitou para a Escola Preparatória de Massamá. 



2ª CLASSE – COLÉGIO JÚLIO DINIS - QUELUZ


MARTA 2ª CLASSE
No ano seguinte, como comecei a trabalhar, decidimos que a Rita e a Marta iriam para um colégio, onde pudessem ficar todo o dia.
Escolhemos o Colégio Júlio Dinis, em Queluz, pois tinha Primária e 1º ciclo da Telescola.
TURMA DA 2ª CLASSE
MARTA É A 4ª A PARTIR DA DIREITA DA FILA DE CIMA
A Marta foi para a 2ª classe, com uma professora muito competente, muito meiga e simpática, a D. Isabel, por quem a Marta tinha uma enorme admiração e estima.


INTRODUÇÃO PARA O LIVRO /BLOGUE

Desde que a Marta partiu, que a ideia de escrever sobre a sua vida, não me tem abandonado.
O receio de não ter a capacidade suficiente para transmitir, tudo aquilo que tenho para contar, a quem me poderá vir a ler, tem-me inibido levando-me a adiar e a atrasar  o projecto. 
MARTA 5 MESES
Às vezes, surgia-me a dúvida, de que o conteúdo deste livro não interessasse a quem o pudesse vir a ler. Noutras alturas, pensava: " - Talvez interesse àqueles que conviveram com ela, que a amaram, que conheceram o seu carácter, a sua sensibilidade, a sua disponibilidade para ajudar, a sua meiguice... " animada por este pensamento, voltava a escrever mais umas linhas.
O principal objectivo deste blogue será dar a ler aos que a conheceram ou àqueles que só agora tomaram conhecimento da sua breve passagem por este nosso Planeta Terra, as vivências da Marta, a sua sensibilidade, os seus anseios, as suas paixões, a sua grande vontade de viver e de vencer os obstáculos que por vezes encontrou pelo caminho.
Assim, reconhecendo a inabilidade criativa para a escrita, peço aos que me lerem, que desculpem as repetições, o exagero e até mesmo as incorrecções linguísticas, pois tudo o que se segue foi escrito com o coração e a emoção.

PAI, MÃE E MARTA (5 MESES)
Quando damos à luz um filho, neste caso, quando a Marta nasceu, como mãe procurei guiá-la com uma infinita paciência, mostrar-lhe os obstáculos, acautelá-la contra tudo o que a pudesse aleijar, queimar, cortar, envenenar, asfixiar, morder ou arranhar. Constantemente, a alertava para resistir à atracção do abismo, fazia ver-lhe que a água podia trair aqueles que confiam na sua doçura ou na sua vibração mágica; quando mais tarde, se tornou numa adolescente e mais tarde numa jovem mulher estava convencida de que a tinha preparado para reagir a todos os perigos e vícios deste mundo tão tenebroso, de que eu a tinha ensinado a seguir o seu caminho na sociedade, de que tinha feito tudo para que ela estivesse atenta à vida e respeitasse todas as pessoas que ela iria encontrar no caminho ao longo da sua vida, quando eu pensava que lhe tinha transmitido tudo de melhor que havia em mim como mulher e mãe, para que ela cumprisse a missão de, por sua vez, legar todos esses conceitos aos seus filhos, quando julgava que tudo estava na "ordem estabelecida": crescer, fazer-se mulher, dar-me  netos, ( todos nós que temos filhos, desejamos) para que a nossa descendência se perpetue. Como dizia Platão: “Porque a geração é para o ser mortal, como a possibilidade de se perpetuar e imortalizar”.  Subitamente, da maneira mais brutal, fui confrontada com a dura realidade de que nem sempre a "ordem da vida" é como nós a sonhamos ou queremos. Nada se cumpriu! Tudo está numa desordem!  Aquela filha que eu tanto protegi, franqueou sozinha as portas da morte, como se a minha constante vigilância, se tivesse rompido de súbito, abrindo uma fenda por onde passou a morte.  
A morte da Marta é a morte que não deveria ter acontecido, inaceitável!...
MARTA NO DIA EM QUE FEZ 1 ANO
Alguém disse: "Os mortos são deste mundo durante tanto tempo, quanto os guardamos na nossa memória ", sinto que esse pensamento se ajusta a todos aqueles que como eu, perderam uma filha ou um filho.
Uma filha que partiu para a eternidade, mas que vive no meu pensamento todos os momentos do dia, como se eu a trouxesse de novo dentro de mim, no aconchego da minha barriga protectora, mas desta vez, para não mais a deixar vir ao mundo. Quando perdemos um filho, ele torna-se no nosso "fantasma interior”, que nos acompanha, a quem pedimos conselhos, a quem pedimos "força" nos momentos de fraqueza e aflição, com quem "dialogamos" quando a saudade é insuportável.
A princípio, pensava que só a mim me tinha acontecido tão grande fatalidade, estava "insensível" ao sofrimento doutras mães e doutros pais; pois se nem sequer eu conseguia lidar com o meu sofrimento, como podia eu lidar com o sofrimento de outros?
Depois, lentamente, muito lentamente, apercebi-me que não estava sozinha neste “mar enraivecido”, quantas mães e quantos pais espalhados pelo mundo, vivem o mesmo drama, a quem lhes aconteceu a mesma tragédia.
Assim, comecei a pensar na melhor maneira de viver com esta brutal realidade. Como e onde procurar a melhor forma para eu poder suportar esta tão grande dor, sem perder as faculdades mentais e psíquicas, as quais muitas vezes sentia oscilar e  fraquejar?
"- Tudo está reduzido a Nada!" - era o meu pensamento mais constante!
Procurei na escrita de um diário, um pouco do equilíbrio psíquico que necessitava. Durante anos, todos os dias (deitada na cama, antes de ir dormir) escrevi "uma carta" à Marta, onde lhe contava o meu dia, as minhas tristezas, as minhas alegrias, o apoio que encontrei na família, nos meus amigos, nos meus alunos; nessas “cartas” procurei dar-lhe a saber que as misérias como a fome, a guerra, a maldade dos Homens e as grandes injustiças sociais, os grandes cataclismos naturais continuavam a existir neste Mundo e que nada se modificou desde o dia da sua partida, o dia 4 de Fevereiro de 1995. No último dia do Século XX, escrevi-lhe uma “carta” a contar-lhe que íamos entrar no Século XXI. O ano 2000 estava a chegar, mas tudo, tudo, mesmo tudo estava como no dia em que a Marta partiu…
Ainda pensei publicar os meus diários, mas estão demasiado íntimos e o objectivo desta fotobiografia é dar a conhecer a Marta e não centrar-me no meu sofrimento, devido à sua partida.
Resolvi dividir este trabalho, em várias partes e abordar nele os assuntos que sempre interessaram à Marta, pois uma das suas características era prestar uma enorme atenção às suas origens, ao modo como eu e o pai nos conhecemos, falar dos amigos, em suma, ela adorava saber pormenores dos pequenos nadas que formam as nossas vidas. Era uma grande conversadora e sempre adorou partilhar com todos nós, os principais acontecimentos da sua vida.
Será que conseguirei através destas páginas dar uma ideia de quem foi esta jovem, a minha querida filha Marta? Conseguirei falar dela sem a trair? Conseguirei fazer surgir no espírito e no coração dos que me vão ler, a imagem de uma jovem que tenha algumas semelhanças com a Marta? Penso que  posso esperar isso, pois a Marta era uma rapariga do seu tempo. Eu ficarei muito feliz, se souber que muitos pais reconhecem nesta jovem de 21 anos, os traços dos seus filhos, que soube aproveitar tudo de bom, que a vida lhe ofereceu.
Desde a sua morte que a própria essência da minha vida mudou e as reacções da minha sensibilidade para com este Mundo, que me rodeia e onde sou “obrigada” a viver, já não são as mesmas.
A provação que tenho passado com a morte da Marta é um calvário. A dor não aparece de uma só vez, mas em vagas sucessivas de dor, que se vão juntando, se vão acumulando e que aumentam o grande aperto que sinto no meu coração. 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

RECADOS À MARTA

Marco Aurélio Monteiro deixou um novo comentário na sua mensagem "A MINHA MARTA": 

Estou a escrever porque senti necessidade de o fazer,não o fiz antes porque não sabia da existência deste blogue dedicado à Marta,eu só soube porque acabo de vir da Paiã do almoço dos antigos alunos e foi o David Simões ( o americano) que era da turma da Marta que me falou do blogue.
Ainda para mais, fez ontem anos que a Marta nos deixou.
Conheci a Marta muito bem, entrámos para a Paiã no mesmo ano, ela para industrias alimentares e eu para agro-pecuaria,recordo-me dela usar uns xailes pelos ombros, parece-me que todos os dias levava um diferente.
Cheguei a sair à noite com a Marta e com a sua irmã.
Fomos de viagem de finalistas a Palma de Maiorca, divertimo-nos que nem uns loucos,pela ilha nos jipes que nós alugámos.
Eu sempre achei a Marta muito madura e responsavel para a idade,comparada comigo que era um autêntico gaiato.
Soube da sua morte pela Olga que tinha sido da turma da Marta na Paiã e estudava em Castelo Branco juntamente comigo.
Não fui ao seu funeral, mas recebi uma carta da mãe a informar-me.
Não fui ao funeral por cobardia,não queria acreditar que uma rapariga da minha idade tinha partido tão permaturamente.
Não fui porque não tive força para enfrentar os Pais, a Irmã, a familia.
Não fui porque queria guardar só recordações boas.
Não fui porque não tive coragem de enfrentar a dura realidade que é a morte.
Hoje, que sou pai de um menino faz amanhã 20 meses,nem quero pensar no sofrimento que levam dentro de si,os Pais e Irmã.
Agora passados estes anos todos só quero deixar um grande beijo para a Mãe,Pai e Irmã e que continuem a ter muita força.
Durante estes anos todos, recordo-me muitas vezes da Marta e do que lhe sucedeu.
Que a sua alma esteja em bom lugar e que descanse em paz.
Marco Aurélio 



A  minha resposta:
Que emoção!! ler as suas palavras foi um enorme consolo. Perceber a importância que a Marta teve na vida das pessoas que com ela conviveram foi esse o objectivo que me levou a fazer este blog. 
Ao ler as suas palavras recordei a Marta, "coquette" que adorava andar bem vestida e com adereços que a tornavam diferente da maioria das raparigas, sim ela adorava lenços, écharpes, xailes... roupas bonitas que a realçavam a sua feminilidade, a sua beleza exótica.
Tenho ideias de escrever sobre a viagem de finalista que ela adorou e recordava com muito entusiasmo... ainda não cheguei a essa época... desde a publicação do blog que tem sindo um "deslumbramento" para mim, pois passados 16 anos, nunca pensei que a Marta estivesses ainda nos pensamentos dos amigos.
Vou mandar-lhe um mail. Lembro-me de a Marta referir o seu nome, Marco Aurélio...
Obrigada pelo seu testemunho tão sincero... 

RECADO DA IRMÃ LINA PARA MIM

Querida Zuzu! Desculpa só agora responder ao teu mail. É que tenho andado mal dos olhos e fiz uma pausa de vários dias na net e na comunicação social, devido à dificuldade em ler, escrever e fixar o écran do computador. Aproveitei para meditar, rezar e ler a partir de dentro, com os olhos da fé e do coração. Agarrar o que nos é possível, é melhor estatégia do que lutar por aquilo que já foi de certa maneira ,mas agora não é do mesmo modo.
Penso que esta estratégia tb pode ser boa para si amiga. Aproveite o que Deus lhe continua a oferecer: a sua própria vida, a da Rita, do marido, dos seus pais e amigos, etc, etc. Até porque se nos fixamos no passado esbarramos, naturalmente, no presente. E este é que é preciso cuidar, acarinhar,acolher e nada perder. O que não quer dizer que se esqueça o passado e que não tenha sido maravilhoso. 
Não perca as oportunidades encantadoras de vida que o presente lhe oferece, consciente de que,  por muitas saudades que se sinta, o passado já não volta. Vamos agarrar gozosamente o presente para construir um futuro feliz, tanto quanto de nós depende, como diz São Paulo.
VAMOS ZUZU, DAR A VOLTA POR CIMA, PARA SEU PRÓPRIO BEM E O BEM DE TODOS QUANTOS AMA E QUE A QUEREM VER FELIZ, PORQUE A AMAM TB, INCLUINDO A SUA QUERIDA MARTA.
E se não consegue sózinha, porque não pedir ajuda a quem está preparada para nos acordar, sempre que andamos a dormir acordados e sem consciência disso? Ajude-se a si própria, não mergulhandoexclusivamente no passado. 
Sabe que lhe desejo todo o bem e a aprecio muito como mulher, esposa, mãe e cidadã com grande  coração e potencialidades artísticas, associando na sua pessoa bondade e beleza. Que mais pode desejar, amiga?! Medite e dê graças, porque tudo isto é dom de Deus Amor.

Aqui vão os sites dos blogues onde publico: 
www.freespirit-sjorge.blogspot.com   e www.dialogoaberto.blogspot.com
 
Bjs de muita estima, esperando ter-lhe comunicado energia positiva e muita esperança em dias melhores, se acreditar em si, nos outros e em Deus que a ama sem medida, como revelou em Jesus Cristo.
Se tiver tempo vá à minha página do face, ok?

A minha resposta:
Minha querida Irmã Lina, obrigada pelas suas palavras, que revelam que está preocupada comigo... mas eu estou bem!... 
Estes textos foram escritos há muito, logo que a Marta me deixou, e só agora decidi colocá-los neste meio de comunicação extraordinário que é a Net. 
Estes textos foram escritos com o objectivo de publicá-los em livro, mas todas as contrariedades que me têm acontecido, obrigaram-me a adiar esse projecto. Agora, sem saber bem porquê, decidi fazer este blog, para dar a conhecer a Marta a quem não teve o priviliégio de a ter conhecido e também talvez para ajudar pais em luto, que como eu, questionam a razão de ter nos "vindo" parar em cima de nós este enorme drama, que é perder um filho. 
Penso que já tinha dito estas palavras a outra pessoa, mas nunca é de mais repeti-las para dar a saber a quem me lê, que não vivo "obcecada" pela morte, que continuei a viver e a fazer felizes quem me rodeia, mas que tenho umas saudades enormes desta filha, com características fantásticas, e que eu queria partilhar com amigos, como a irmã Lina.
zuzu